segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Introdução ao figurino

Para elaborarmos um projeto de figurino e cenário da peça Vestido de Noiva foi preciso muito estudo, tanto buscando na internet, quanto lendo e relendo o texto - várias vezes. Adianto para vocês, leitores, que a peça é de dificílimo entendimento, sim, e perceberam de cara ao assistir a nossa apresentação. De início, a responsável pelo figurino era Ketly, mas, devido a alguns imprevistos, eu, Isabela, pretendo ficar responsável.

Como já havia dito, a peça se passa por volta dos anos 40 no Rio de Janeiro. O Brasil passava por uma ditadura e de restrição à liberdade de imprensa.

Os anos 40 são considerados um dos mais femininos e sensuais do século XX, impulsionado pela beleza das divas hollywoodianas Rita Hayworth, Ingrid Bergman, Ava Gardner entre outras.

Foi também o ano que diferente dos anos 20 e 30, começou a ser estabelicido uma imagem padronizada de beleza. Nos anos 60 a modelo de moda mais popular era a Twiggy, nos anos 50 a Suzy Parker e nos 40 foi a vez de Jinx Falkenburg (foto abaixo). Esta foi a década em que o mundo da publicidade começou a olhar mais favoravelmente para fotógrafos, em vez de ilustradores, que por muito tempo ocupou o lugar de destaque uma vez que a impressora a tinta foi inventado.



+Conteúdo

Selecionei dois vídeos sobre a peça de Nelson Rodrigues, Vestido de Noiva. Confiram, vale a pena.

 

A convite do projeto Brasil Memória das Artes, a atriz Yoná Magalhães comenta sua participação na peça 'Vestido de Noiva', de Nelson Rodrigues. Neste vídeo, ela relembra episódios que marcaram a montagem da qual participou, em 1965, que possui fotos no Centro de Documentação da Funarte, encontradas no acervo da Coleção Foto Carlos, do lendário estúdio comandado pelo fotógrafo Carlos Moskovics.

Esse outro, apesar de ser um teleteatro, nos ajudou bastante com a composição dos personagens. Lílian faz excelente interpretação de Alaíde.


Lílian Lemmertz e Edwin Luisi em cena do teleteatro "Vestido de Noiva" (1974), dirigido por Antunes Filho, a partir da obra de Nelson Rodrigues. Exibido na Tv Cultura, dentro do programa "Teatro Dois".

Ensaio dia 06/09

Algumas fotos foram registradas durante nosso primeiro ensaio no Auditório do IFRN. A experiência contribuiu bastante para redefinirmos o espaço, os personagens, o figurino, as entradas e o cenário.


Conhecendo os personagens

A peça tem três atos e sua ação transcorre no âmbito familiar. A família é o núcleo de todas danações dos personagens de Nelson Rodrigues, nesta e em suas demais peças, seja esta família de origem suburbana, de classe média ou burguesa. É no interior dessa comunidade que deveria proteger seus membros, que os dramas ocorrem. Paixões proibidas, ódio recalcado, violência, crueldade e outros sentimentos degradados implodem a estrutura familiar, transformando-a em um inferno em que os personagens das peças vivem como seres para sempre amaldiçoados. 

O peça inicia com buzina de automóvel, barulho de derrapagem violenta, vidraças partidas, sirene de ambulância. O cenário é dividido em três planos, que o autor denomina: alucinação, memória e realidade. Os sons ouvidos referem-se ao atropelamento de Alaíde, que é levada a um hospital.

O universo dramático de Vestido de Noiva é a classe média carioca nas imediações dos anos quarenta. Nessa sociedade, predomina a hipocrisia, os preconceitos e os símbolos eleitos pela cultura judaico-cristã como eternos em relação à família e ao casamento.

Alaíde - Julliana Varella
Neurótica e oportunista, é a protagonista de Vestido de Noiva. É uma mulher insatisfeita e inconformada com a condição feminina. Seduz os namorados da irmã como uma tentativa de auto-afirmação, que a faz parecer melhor aos próprios olhos. É como ela diz a Lúcia, em tom de provocação: "Eu sou muito mais mulher do que você - sempre fui! Após conquistar Pedro, que se torna seu marido, demonstra um certo desinteresse e frustração pela vida de casada, ao mesmo tempo em que se sente ameaçada de morte por Pedro e Lúcia. O atropelamento é um desfecho trágico da tensão dos últimos dias da protagonista, e tanto pode ser suicídio como acaso ou assassinato. Em seu delírio e lembranças, reconstrói no subconsciente as injustiças de que se julga vítima e revela seu fascínio pela vida marginal de Madame Clessi.

Lúcia (Mulher de Véu) - Djenifer Jansen
Irmã de Alaíde, aparece em quase toda a peça como Mulher de Véu. É uma pessoa também insatisfeita, incompleta, que vive atormentada pelo sentimento de ter sido passada para trás pela irmã. Parece ter conseguido uma grande vitória com a morte de Alaíde e seu casamento com Pedro, mas as cenas finais sugere que ela não estará melhor em seu casamento do que Alaíde em seu túmulo.

Pedro - Tales Augustus
É o elemento dominador, é quem manipula as mulheres para conseguir o que quer. Namora Lúcia inicialmente, deixa-se seduzir por Alaíde, com quem se casa pela primeira vez, e depois concebe um plano macabro de eliminar a esposa para retornar aos braços da irmã. É o industrial bem sucedido, que representa o bom partido para as moças casadoiras que conseguirem fisgá-lo, mesmo sabendo que viveram à mercê do macho opressor. Pedro e Lúcia são presumidos assassinos e hipocritamente se casam, com o consentimento dos pais de Lúcia e da inexpressiva mãe de Pedro.

Madame Clessi - Sarah Rebeca
Antiga prostituta de luxo assassinada por um jovem amante em 1905. A casa onde os pais de Alaíde e Lúcia foram morar tinha sido a habitação de Madame Clessi e o local onde ela exercia sua profissão. Sua figura é construída na imaginação de Alaíde, que, quando pequena, encontrara no sótão da casa o diário de Madame Clessi.

Dona Lígia - Deborah Santos
Mãe de Alaíde e de Lúcia, mulher de costumes conservadores, representa o peso da tradição e dos bons costumes, que atuam sobre os personagens principais. 

Gastão - Emanoel
Marido de Dona Lígia, pai de Alaíde e de Lúcia. Sua principal aparição se dá no plano da memória, no qual está conversando com sua mulher sobre as atividades que eram exercidas na casa na época de Madame Clessi. “O negócio acabava numa orgia louca”, o curto diálogo, no qual Gastão profere essas palavras, marca profundamente a protagonista.

Os demais personagens desempenham papéis secundários, como o namoradinho adolescente de Clessi, que a assassina com uma navalhada, e os pais de Alaíde e Lúcia e a mãe de Pedro, que representam a classe média conformada e deslumbrada com as convenções sociais, que devem ser preservadas.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Centenário de Nelson Rodrigues

"Todo o autor é autobiográfico e eu sou também. O que acontece na minha obra são variações infinitas do que aconteceu na minha vida", disse Nelson Rodrigues em entrevista ao JT em 1974.
Nascido em Pernambuco em 1912, Nelson Rodrigues era o quinto de uma família de quatorze filhos. Ingressou no jornalismo por influência de seu pai, o jornalista Mario Rodrigues que, ao migrar para o Rio de Janeiro, fundou o jornal "A Manhã", onde Nelson começou sua carreira jornalística, aos 13 anos de idade. Em 1929, tendo perdido "A Manhã" para seu sócio, Mário Rodrigues lança o jornal "Crítica".

Um dos principais cronistas esportivos do país, Nelson Rodrigues tinha uma visão original do futebol, como esporte e como espetáculo. Uma maneira de escrever e contar histórias que fez dele mais do que uma referência. Para muitos, fez dele um gênio.  

Era muito talento e ele não ficou restrito às crônicas esportivas. Nelson ultrapassou este limite. Falou muito sobre futebol e também sobre a vida. Ele viu a sociedade pelo buraco da fechadura. Em suas peças e crônicas,  revelou os segredos e hipocrisias nas relações pessoais e familiares - e tornou-se maldito para muitos por isso. 

Com textos que misturavam prosa e poesia, mesmo em reportagens policiais e esportivas, Nelson ganhou a atenção de leitores e críticos e, sua aproximação com artistas cariocas o fez escrever textos também para o teatro. Sua primeira peça foi A Mulher Sem Pecado, em 1941.

"Ele via o patético, o dramático, o cômico. Não só nas peças que ele escrevia, como também no campo de futebol, na política, na vida real, no dia a dia. Ele aplicava essa visão dramatúrgica, digamos assim, a tudo", disse Ruy Castro, autor de "Anjo Pornográfico", a biografia de Nelson.

Desde seu primeiro texto até o mais famoso deles, Vestido de Noiva, Rodrigues enfrentou preconceitos falando daquilo que a sociedade brasileira recomendava não abordar, como o adultério e a boemia.




Referências: http://oglobo.globo.com/infograficos/nelson-rodrigues/
http://sportv.globo.com/site/programas/sportv-reporter/noticia/2012/08/sportv-reporter-homenageia-o-centenario-de-nelson-rodrigues.html
http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2012/08/23/centenario-de-nascimento-de-nelson-rodrigues?utm_campaign=Twitter&utm_medium=Historia&utm_source=Centenario.Nelson.Rodrigues&utm_content=23082012
http://www.guiadasemana.com.br/artes-e-teatro/noticia/centenario-de-nelson-rodrigues

Isabela Muniz, Minguante Companhia de Teatro

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Listas de Personagens

Devido a greve do IFRN, algumas coisas desandaram no projeito de encenação, como os ensaios e a data para a apresentação definida. Mas, adianto a vocês, que a lista de personagens já foi divulgada pelo grupo e, claro, poderá sofrer alterações daqui para frente. Segue a lista:

Primeiro ato: 
Mulher que joga paciencia - Joyce Rodrigues
1ª Dançarina - Isolda Muniz
2ª Dançarina - Isabela Muniz
Homem (faxineiro) - Tales Augustus
Madame Clessi - Sarah Rebeca
Pai de Alaíde - Diego Sales
Mãe - Deborah Santos
1º Médico - Emanoel
2º Médico - Rafael
Pedro - Tales
Jornaleiro - Rafael
Mulher que liga - Aryel Nayara
Dona Laura - Vitória Aguiar
Redator - Rafael (só voz)
Pimenta - Emanoel (só voz)

Outros personagens já definidos: 
Alaíde - Julliana Varella
Lúcia - Djenifer Jansen
Mulher do Véu - Djenifer Jansen
Dona Lígia (mãe) - Deborah Santos
Médico que fala com Pedro - Emanoel
Namorado de Madame Clessi - Tales Augustus
Mãe do Namorado de Madame Clessi - Isabela Muniz



Isabela Muniz, Minguante Companhia de Teatro

O espetáculo do Coletivo de Teatro Alfenim

No dia 13/06, o Coletivo de Teatro Alfenim, vindos de João Pessoa (PB), fez seu primeiro espetáculo fora do estado de origem no Auditório do IFRN - Campus Natal Central, para nós, alunos do Técnico Integrado e estudantes da disciplina Artes Cênicas.

O Coletivo é um núcleo de investigação teatral surgido em abril de 2007, cujo idealizador e diretor artístico é o dramaturgo e encenador paulista Márcio Marciano, fundador da Companhia do Latão, de São Paulo, e radicado em João Pessoa desde 2006. O Alfenim tem como principais objetivos a criação de uma dramaturgia própria com base em assuntos brasileiros, e a formação de plateias a partir de eventos paralelos às montagens como seminários, oficinas e debates abertos sobre os temas abordados na pesquisa.

O espetáculo chama-se O Deus da Fortuna e se trata de uma parábola sobre o capital em seu estágio global de volatilização. Narra a história de Wang, um proprietário de terras afundado em dívidas, na China Imperial. Zao Gong Ming, o Deus da Fortuna, surge à sua frente e lhe desvenda o futuro, com a condição de que seja erguido um Templo em sua honra. O proprietário deixará as formas primitivas de acumulação do capital para dedicar-se à especulação financeira.

Quanto ao contexto cultural, a peça trata de um assunto integrante da nossa cultura: o capitalismo. Faz uma crítica a consumismo exacerbado e ao valor extremo dado ao dinheiro. Quanto ao contexto pedagógico, a turma paga a matéria Artes Cênicas, na qual faremos uma peça teatral. Assistir ao Deus da Fortuna foi essencial para entender mais sobre o assunto.

A realização desse evento se deu devido a iniciativa das professoras Elane Simões e Marinalva Moura, juntamente com o diretor do IFRN Natal Central, José Arnóbio.



Isabela Muniz, Minguante Companhia de Teatro